Mais uma noite fria em Salvador, estranho para uma cidade conhecida pelo seu calor. Andando em meio aos bares noturnos, pude ver ao longe vários casais passeando na orla, de mãos dadas, beijado-se apaixonados, só uma coisa me impressionava, eram todos héteros.Fiquei refletindo sobre o que está havendo com nossa geração. Somos uma comunidade sem bases firmes de orientação sentimental, de convivência harmoniosa, e não estamos caminhando para a construção delas, na verdade estamos nos afastando das possibilidades de criar novas formas de se relacionar, amar, namorar, viver.As perspectivas de futuro são cada vez mais incertas, e apenas o momento torna-se mais importante minuto a minuto. Não pensamos mais no dia seguinte, que o corpo precisa parar, a mente precisa de repouso e a alma de paz. Abusamos do frenesi que é a vida noturna homossexual, a frivolidade do nosso dia a dia, das grifes, dos amores frágeis...Do que adianta querer essa liberdade e não saber aproveitá-la. Não digo de sair por aí “curtindo” a vida, mas trabalhar nossa vida, malhar ela e não só o corpo. A vida precisa ser remexida, revirada, reformada, revivida, antes que acabe, afinal tudo passa minha gente! Os riscos são muitos, o tempo é pouco e os prazeres merecem ser aproveitados em sua plenitude de maneira segura. Nossa realidade enquanto gays é tão pequena, efêmera, que posso garantir que muitos de nós estamos entre “ficantes” e mais “ficantes”, mas e o resto? O futuro? Você já se imaginou envelhecendo ao lado de alguém? Provavelmente não, o namoro não durou o bastante, suponho. Vamos puxar o freio um pouco... A sociedade como um todo é frenética, não é uma característica só nossa, mas as pessoas se controlam, porque os gays não?! Porque temos que correr como loucos, como se o mundo acabasse amanhã? Sabem por que tantas perguntas? Porque ninguém se preocupou em dar as respostas, ao invés disso, se criam mais incertezas sobre a comunidade LGBT. Estamos despreparados para o futuro, como crianças que acabaram de nascer, o problema é que só nos daremos conta disso num período da vida no qual não haverá muito que fazer e seremos as “bichas velhas” que hoje criticamos. Contudo não paramos para pensar na geração “delas”, afinal não existia a liberdade da qual usufruímos atualmente, as possibilidades, o conhecimento livre e 100% disponível. Ao contrário de nós as bias de hoje não tiveram as oportunidades que estamos tendo de construir nossas regras, limites, relações... Estamos caminhando para um retrocesso de valores, agindo como os promíscuos, que a sociedade em geral pinta. Assinando em baixo os termos criados pelos mesmos que apontam para nós nas ruas e nos coloca nos guetos, nos cantos, no escuro, até nos subjugarem como inferiores que nos deixamos ser.terça-feira, 30 de setembro de 2008
Sobre o tempo...
Mais uma noite fria em Salvador, estranho para uma cidade conhecida pelo seu calor. Andando em meio aos bares noturnos, pude ver ao longe vários casais passeando na orla, de mãos dadas, beijado-se apaixonados, só uma coisa me impressionava, eram todos héteros.Fiquei refletindo sobre o que está havendo com nossa geração. Somos uma comunidade sem bases firmes de orientação sentimental, de convivência harmoniosa, e não estamos caminhando para a construção delas, na verdade estamos nos afastando das possibilidades de criar novas formas de se relacionar, amar, namorar, viver.As perspectivas de futuro são cada vez mais incertas, e apenas o momento torna-se mais importante minuto a minuto. Não pensamos mais no dia seguinte, que o corpo precisa parar, a mente precisa de repouso e a alma de paz. Abusamos do frenesi que é a vida noturna homossexual, a frivolidade do nosso dia a dia, das grifes, dos amores frágeis...Do que adianta querer essa liberdade e não saber aproveitá-la. Não digo de sair por aí “curtindo” a vida, mas trabalhar nossa vida, malhar ela e não só o corpo. A vida precisa ser remexida, revirada, reformada, revivida, antes que acabe, afinal tudo passa minha gente! Os riscos são muitos, o tempo é pouco e os prazeres merecem ser aproveitados em sua plenitude de maneira segura. Nossa realidade enquanto gays é tão pequena, efêmera, que posso garantir que muitos de nós estamos entre “ficantes” e mais “ficantes”, mas e o resto? O futuro? Você já se imaginou envelhecendo ao lado de alguém? Provavelmente não, o namoro não durou o bastante, suponho. Vamos puxar o freio um pouco... A sociedade como um todo é frenética, não é uma característica só nossa, mas as pessoas se controlam, porque os gays não?! Porque temos que correr como loucos, como se o mundo acabasse amanhã? Sabem por que tantas perguntas? Porque ninguém se preocupou em dar as respostas, ao invés disso, se criam mais incertezas sobre a comunidade LGBT. Estamos despreparados para o futuro, como crianças que acabaram de nascer, o problema é que só nos daremos conta disso num período da vida no qual não haverá muito que fazer e seremos as “bichas velhas” que hoje criticamos. Contudo não paramos para pensar na geração “delas”, afinal não existia a liberdade da qual usufruímos atualmente, as possibilidades, o conhecimento livre e 100% disponível. Ao contrário de nós as bias de hoje não tiveram as oportunidades que estamos tendo de construir nossas regras, limites, relações... Estamos caminhando para um retrocesso de valores, agindo como os promíscuos, que a sociedade em geral pinta. Assinando em baixo os termos criados pelos mesmos que apontam para nós nas ruas e nos coloca nos guetos, nos cantos, no escuro, até nos subjugarem como inferiores que nos deixamos ser.
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2 comentários:
Oi, vi teu blog no site Oxente - ótimo, por sinal - e como leitor desse post vim deixar meu comentário. Acho que o retrocesso vem de mente pequenas, que não enxergam outras formas de relação. Enquantos gays imaturos idealizam uma relação gay baseada em papai e mamãe, outros vivem a vida como querem. A questão é que quando as pessoas pararem de se importar como as outras vivem e começar a fazer de si mesmo um indivíduo sem recalques, a sociedade muda. E o movimento LGBT nunca vai pra frente porque antes de combater uma homofobia externa, tem de perceber que inimigos estão dentro da própria sigla. Mas não te acho um vilão, apenas excessivamente imaturo.
eu li sobre as materias que vc fez principalmente sobre o beco e sobre um certo site rsrsr.. é impressionante como vc define tão bem o que são aquelas pessoas!
eu gosto do seu trabalho, da maneira como vc escreve (muito bem) e como vc consegue nos passar da melhor maneira aquelas coisas horriveis que temos que conviver por aqui.
parabens estavamos precisando de algo assim..
adoraria conversar com vc, abraço!
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