terça-feira, 30 de setembro de 2008

Sobre o tempo...

Mais uma noite fria em Salvador, estranho para uma cidade conhecida pelo seu calor. Andando em meio aos bares noturnos, pude ver ao longe vários casais passeando na orla, de mãos dadas, beijado-se apaixonados, só uma coisa me impressionava, eram todos héteros.Fiquei refletindo sobre o que está havendo com nossa geração. Somos uma comunidade sem bases firmes de orientação sentimental, de convivência harmoniosa, e não estamos caminhando para a construção delas, na verdade estamos nos afastando das possibilidades de criar novas formas de se relacionar, amar, namorar, viver.As perspectivas de futuro são cada vez mais incertas, e apenas o momento torna-se mais importante minuto a minuto. Não pensamos mais no dia seguinte, que o corpo precisa parar, a mente precisa de repouso e a alma de paz. Abusamos do frenesi que é a vida noturna homossexual, a frivolidade do nosso dia a dia, das grifes, dos amores frágeis...Do que adianta querer essa liberdade e não saber aproveitá-la. Não digo de sair por aí “curtindo” a vida, mas trabalhar nossa vida, malhar ela e não só o corpo. A vida precisa ser remexida, revirada, reformada, revivida, antes que acabe, afinal tudo passa minha gente! Os riscos são muitos, o tempo é pouco e os prazeres merecem ser aproveitados em sua plenitude de maneira segura. Nossa realidade enquanto gays é tão pequena, efêmera, que posso garantir que muitos de nós estamos entre “ficantes” e mais “ficantes”, mas e o resto? O futuro? Você já se imaginou envelhecendo ao lado de alguém? Provavelmente não, o namoro não durou o bastante, suponho. Vamos puxar o freio um pouco... A sociedade como um todo é frenética, não é uma característica só nossa, mas as pessoas se controlam, porque os gays não?! Porque temos que correr como loucos, como se o mundo acabasse amanhã? Sabem por que tantas perguntas? Porque ninguém se preocupou em dar as respostas, ao invés disso, se criam mais incertezas sobre a comunidade LGBT. Estamos despreparados para o futuro, como crianças que acabaram de nascer, o problema é que só nos daremos conta disso num período da vida no qual não haverá muito que fazer e seremos as “bichas velhas” que hoje criticamos. Contudo não paramos para pensar na geração “delas”, afinal não existia a liberdade da qual usufruímos atualmente, as possibilidades, o conhecimento livre e 100% disponível. Ao contrário de nós as bias de hoje não tiveram as oportunidades que estamos tendo de construir nossas regras, limites, relações... Estamos caminhando para um retrocesso de valores, agindo como os promíscuos, que a sociedade em geral pinta. Assinando em baixo os termos criados pelos mesmos que apontam para nós nas ruas e nos coloca nos guetos, nos cantos, no escuro, até nos subjugarem como inferiores que nos deixamos ser.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

7ª Parada Gay - Hora de se movimentar!!!!

O tema da 7ª Parada do Orgulho Gay, que aconteceu no último domingo (14), trouxe como tema principal a luta contra o ódio aos homossexuais, ou seja, a prática do crime de homofobia.Crime este que tem ceifado a vida de centenas de gays durante todo o ano no Brasil, levando o nosso país e principalmente a cidade do Salvador a subir em disparada para o topo das paradas da violência contra a diversidade sexual.Esse ano de eleição, com um tema tão importante, acredito que um momento marcante – único que presenciei – foi a reflexão da transformista Dion. Em cima do trio ela parou a Carlos Gomes e lembrou a intenção maior da Parada, que era o nosso direito de sermos nós mesmos, todos os dias, independente do local. Seja no trabalho, na escola, na faculdade, da padaria.Afinal, cara comunidade LGBT, vocês conhecem algum negro que mude de cor para sair de casa? Um nordestino que se torne sulista para caminhar por São Paulo, ou ainda uma mulher que vire homem antes de dirigir seu carro ou até de consertá-lo? Pois é, nenhum de nós conhece gente assim, não porque essas pessoas já tenham conquistado seus plenos direitos de liberdade, mas porque lutaram e continuam lutando por espaços, por destaque, por respeito. Assim como nós devemos fazer! Abrir mão dos títulos, dos rótulos, das grifes, dos supérfluos e começarmos a pensar no futuro que está batendo à nossa porta nesse instante, nos dizendo o quanto as coisas mudam e como podemos sofrer mais a frente se não prepararmos a sociedade pra nos receber enquanto cidadãos, seres humanos. A 7ª Parada do Orgulho Gay, foi um belo carnaval fora de época, atraiu turistas, “simpatizantes” e tudo mais de categorias que nossas mentes podem criar. Porém num todo, somos homossexuais e a união é a única forma de garantirmos melhoras, progresso e liberdade sexual. Fora isso nos restará eternamente os guetos, como foi para os negros, a violência e o preconceito.Não quero dizer com isso que a Parada Gay foi um momento perdido. Os 365 dias estão sendo perdidos, quando nos negamos ser quem somos no trabalho, na faculdade e em tantos outros ambientes como já citei. Estamos assumindo a cada dia a cultura heterossexual, negando a possibilidade de criarmos nossos próprios alicerces.Poty, nassau ou qualquer outra marca de cimento que possamos fazer, policiando os próprios movimentos, voz e qualquer outra coisa que nos “denuncie” como bandidos foragidos da policia, deve ser repensado. É assim que vamos construir o quê? Pessoas acuadas num canto, só sendo sinceras consigo mesmas no escuro da boate, dos bares, dos becos, das esquinas, dos banheiros públicos como insetos? Está na hora de sermos grandes, pensarmos grande. Somos universitários, profissionais gabaritados, inteligentes, donos dos nossos próprios negócios, casas, apartamentos, carros, e movimentamos um mercado ganancioso. Tudo isso pra alimentar nossos próprios algozes?
Um gay assassinado a cada três dias nesse país! Faça suas contas... e boa sorte!

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Militante LGBT paga "pau" pra gogoboy no Beco!

Tem mais ou menos uma semana que estive no Beco dos Artistas, estava um pouco fora do meio devido à correria que está a minha vida, além de um namoro fadado ao fracasso com mais um carinha que quer uma marionete em suas mãos ao invés de um outro ser humano ao seu lado.Bem, chegando lá (no Beco) a mesma vontade súbita de virar as costas e sair correndo... As mesmas pessoas, as mesmas fechações, as mesmas bichinhas pré-adolescentes, de roupas mega apertadas, além de moleques com caras de “elzas” e maconheiros na entrada, fazendo do submundo, que ali é, mais submundo ainda.Circulando com meus amigos, encontrei um antigo affair, que por sinal é um gogoboy, e como não poderia ser diferente comecei a conversar com ele, foi então que um famoso candidato a vereador, defensor da causa LGBT, militante do meio, se aproximou de nós dois.Quando imaginei que ouviria aquelas já conhecidas propostas e jargões de candidatos, eis que ele, pois a mão dentro da calça do “menino” e começou, como posso dizer.... a “quibá-lo”. Pasmem meus amigos, um suposto representante da causa, “quibando” um molequinho malhado da minha frente e na frente de dezenas de bichas afoitas que não se deram ao trabalho de perceber.Pois bem, no meio da confusão de purpurina que é o Beco dos Artistas, até mesmo as possíveis autoridades se deixam levar pelo calor do momento. Humano isso? Tudo bem concordo, mas tenhamos respeito, afinal não se faz isso em todo lugar, em todo momento, nem com qualquer um.Resumo da ópera, como um militante, candidato a um cargo público, ele deveria ao menos respeitar a mim que vi, ao gogo, e a si próprio, deixando para fazê-lo no reservado do seu quarto e em particular. Eu pelo menos não faço esse tipo de coisa pra todo mundo ver e você? Será que é esse o candidato que vai nos representar futuramente?Já comentei isso no meu blog anteriormente. São pessoas que nunca foram eleitas por nós pra serem que se dizem ser, mas agora há a possibilidade de fazer deles esses representantes ou não, se nos enxergarmos neles e eu particularmente, não me enxergo.